sábado, 15 de fevereiro de 2014

Preguiça

Distante de saber quem eu sou.
Me pego sem saber o que fazer.
Mesmo quando o sol acabou.
Pouco antes dele renascer.

O tempo me deixa onde estou.
Sem forças não tenho o que fazer.
Nessa noite quente me restou.
Ouvir rádio, dormir, ver tevê...

Penso em levantar.
As nuvens acobertam o sol da manhã.
E ele antes poderoso a esquentar.
Agora se esconde de vergonha.

Me procuro em pensamentos salgados.
Não sinto que posso sair.
Nessa grande caixa de sapatos.
Que de casa só chamo pra rir.

As portas não abrem.
As janelas, quietas, apenas sibilam.
O vento que ja foi refém.
De um sol que os raios fugiram.

Agora chove.
Molha o chão.
Pinta a rua de asfalto escuro.
Aquieta meu corpo no colchão.

Meus olhos abertos alcançam o teto.
Não levanto, tento, mas força não acho.
Me sinto o homem de ferro.
Em uma grande cama de aço.

O barulho da água pingando.
Do cachorro miando e do gato que pia.
Os passarinhos motores ligando.
E os carros na rua cheia e vazia.

O cheiro de comida da vizinha.
Me atiça e lembro da fome.
A despensa continua vazia.
E a geladeira com água em dois goles.

O banheiro também me chama.
A escova de dentes, o shampoo e a privada.
Mas preso estou em minha cama.
Preso eu fico em minha casa.

Preciso ao menos me trocar.
Mudar a estação.
entrar logo no eixo, voltar.
Sair desse verão.

A moleza vai passar.
Passo minhas roupas no chão.
Me contorço precoce no ar.
E me sento apoiado nas mãos.

Meus deuses, meus amigos.
Me dêem coragem nesse suplício.
Nunca antes foi tão difícil.
Levantar e fazer o que preciso.

Então finalmente me encontro.
E agora são novas notícias.
Estou caminhando pro tronco.
Levar chicotadas por preguiça.

Minha fiel companheira.
De todas as noites, manhãs, bagunças ou louças para lavar.
Minha preguiça nunca para. Nunca some. Apenas finge não me ver por lá.

Fui!

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